Meghan Markle, Dewy Skin e o fim do “INSTA LOOK”

Assim como a moda, a beleza também vive de um constante movimento pendular. Se uma época é marcada por maquiagens com cores fortes, batons metalizados e cabelos super volumosos (hello anos 80!), no anos seguintes o que faz sucesso é justamente o oposto: cabelo chapado e beleza minimal, tal qual os icônicos looks de Kate Moss nas campanhas da Calvin Klein, que marcaram os anos 90.

Kate Moss na icônica campanha do perfume Obsession, da Calvin Klein,
fotografada por Mario Sorrenti

De todos esses opostos da beleza, o que mais me chama a atenção atualmente é o da pele quase sem cobertura, levemente corrigida e com uma luminosidade natural, substituindo a artificialidade do pesadíssimo “Insta look”, que começou a bombar nas redes no final dos anos 2000, atingindo seu ápice em 2007/2008, com a estréia de Keeping Up with the Kardashians. Essa estética usava e abusava de bases de alta cobertura, corretivos, blushes, bronzers, iluminadores ligados no 220v e pós de finalização (ufa!) para criar o famoso countour, que praticamente reconstruía as feições e mascarava qualquer sinal de poro/”imperfeição” na pele. As manchinhas, pintas e sardas então, tão charmosas e únicas, não resistiam à primeira passada de pincel!

O preparo do famoso contour de Kim

Para entender o porquê do surgimento desse visual tão pesado na maquiagem, vasculhei algumas entrevistas do meu podcast sobre beleza favorito, o americano Fat Mascara, apresentado pela hilária Jennifer Goldstein (colaboradora de Beleza da Marie Claire) e pela expert Jessica Matlin (Diretora de Beleza da Harper’s Bazaar). No episódio 117 do podcast, as jornalistas entrevistaram a beauty influencer Jaclyn Hill, que começou a filmar tutoriais lá em 2012, e hoje conta com quase 6 milhões de assinantes no Youtube, e que no início de seu canal usava e abusava desse tipo de make super pesado. Ao ser questionada sobre o porquê dessa estética ter surgido e ganhado tanta força na internet, ela deu uma explicação que achei bem interessante. Jaclyn conta que, quando esses tutoriais de maquiagens começaram a ser filmados, as câmeras eram de baixa qualidade, e não existiam gadgets como ring lights e equipamentos profissionais acessíveis para uma youtuber em início de carreira. Assim, a qualidade das filmagens era bem precária, com péssima iluminação e baixíssima definição de imagem. Por isso, Jaclyn explica, as youtubers “pesavam na mão” no preparo da pele, à fim de mostrar o resultado de cada aplicação e de cada produto para seus espectadores. Isso, é claro, acabou influenciando o público e a indústria, que lançou milhares de kits de contorno com cores super saturadas, e bases de alta cobertura, para dar conta da nova demanda por essa pele sem poros, matificada, impecável e artificial das estrelas da internet.

A youtuber Jaclyn Hill

No entanto, com a invenção das câmeras HD e a maior acessibilidade de ferramentas profissionais de filmagem e edição de vídeo, algumas youtubers passaram a usar menos produtos para “cobrir” a pele, adotando assim uma estética mais natural, o que influenciou toda a indústria a partir também para lançamentos de produtos mais leves, respeitando a beleza e as características naturais de cada pele. Ainda bem!

Outro fator que explica essa nova onda da pele natural foi a explosão do skincare nos últimos anos, influenciada sobretudo pela febre da k-beauty, que globalizou a insana rotina de skincare das coreanas, com 10 (ou mais!) passos diários de aplicação de produtos. Essa estética ajudou a mostrar para o público que uma pele bem cuidada e hidratada vale mais que mil bases de alta cobertura combinadas!

Fotos de campanhas da Glossier: peles reais, mulheres reais

O selo de aprovação definitivo da “dewy skin” – expressão de pele natural e radiante que as revistas americanas adoram usar – veio com um dos casamentos mais comentados da década, no qual uma linda princesa subiu ao altar com a pele praticamente sem cobertura, e com uma luminosidade que deixou todos boquiabertos. Sim, estamos falando da duquesa Meghan Markle, e sua make que beirava o “no-makeup makeup look”, entrando na St George’s Chapel com sardinhas à mostra, e cara de saúde – sem falar naquele brilho de felicidade no olhar, que só quem está muito apaixonado tem!

A maquiagem sutil de Meghan, analisada à exaustão pela mídia ao redor do globo, foi obra de seu fiel maquiador Daniel Martin, o mago dos pincéis, que tem contratos com marcas como Dior e Tatcha, e dá uma grande ênfase ao “skin prep” antes de começar a maquiar cada cliente.

Em uma entrevista à Vogue UK, Daniel comentou a make de Meghan, afirmando: “A última coisa que eu queria que Harry visse, quando olhasse para ela, era sua maquiagem. Eu queria que ele visse ELA! Fui super criticado no meu Instagram (@danielmartin) por não ter usado tanta maquiagem nela, mas o que muitas pessoas não entendem é que Meghan é uma atriz famosa, que já passou por todo o glamour dos red carpets e dos grandes eventos, diversas vezes. No dia do seu casamento, ela queria se sentir apenas como ela mesma, com uma beleza natural.”

E parece que deu certo, pois o look de Meghan é até hoje referencia de quem quer uma pele iluminada e leve, que ressalte a verdadeira beleza, com todas suas imperfeições e particularidades!

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